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Sendo o corpo o primeiro modo de existir e o primeiro contato do individuo com o meio e com as pessoas que o cercam, e nele que se inscrevem as regras, as normas e os valores de uma sociedade. Falar do corpo da crianca na escola significa falar de complexas tramas de relacoes sociais e culturais que determinam as formas de praticar a acao pedagogica. As acoes da pedagogia escolar sobre o corpo da crianca atuam na producao da subjetividade do “ser crianca”, na condicao de aluno. O presente artigo consiste em uma revisao bibliografica, que tem como objetivo discutir, a luz do processo historico que inventou a sujeicao disciplinar, os modos de se tratar o corpo das criancas no interior dos espacos escolares. Para tanto, conta-se com a contribuicao de historiadores, filosofos, educadores, que ja se debrucaram sobre o tema e produziram novas maneiras de se pensar a questao do corpo na escola. Conscientes de que cada sociedade elabora suas proprias verdades acerca dos modos de ser e de usar o corpo, compreende-se que e funcao da escola reproduzir, legitimar e transmitir tais verdades e suas praticas sobre o corpo. Mesmo assim, acredita-se na possibilidade de pensar o corpo para alem dessa logica mecânica e disciplinar, pois, nao e so de disciplinamentos que a vida se faz. As criancas estao permanentemente nos ensinando sobre sua maneira ludica e criativa de se fazerem pessoas, aprendendo a suportar os modelos de sujeicao e resistindo a eles, mostrando que, antes de tudo sao criancas, mais do que alunos.
Published in: Atos de Pesquisa em Educação
Volume 7, Issue 2, pp. 507-519