Search for a command to run...
Estudos sobre a influencia da suplementacao alimentar no comportamento de primatas tem enfocado em especies terrestres e semiterrestres. Seus efeitos em primatas altamente arboricolas sao pouco conhecidos. Investigamos se e como a utilizacao de alimentos suplementados afeta o comportamento alimentar e o tempo investido nas atividades diarias de dois grupos de bugios-ruivos (JA e RO) habitantes de fragmentos florestais periurbanos no sul do Brasil. Os tres individuos adultos de cada grupo foram observados pelo metodo animal-focal durante seis a oito dias completos (amanhecer ao por-do-sol) por mes de marco a agosto de 2017 (916 h de observacao). Os eventos de alimentacao do individuo-focal foram registrados pelo metodo de “todas as ocorrencias”. O orcamento de atividades dos bugios, considerando um dia completo (24 h), foi dominado pelo descanso (84%-89%), seguido pela alimentacao (9%-5%), locomocao (6%-4%) e comportamentos sociais (ambos 1%). A suplementacao nao foi oferecida uniformemente ao longo do dia e representou 6% dos eventos de alimentacao de ambos os grupos. JA foi sempre suplementado em uma plataforma com frutos, enquanto RO recebeu frutos e alimentos processados sobre telhados e diretamente pelos humanos. A biomassa media (± dp) de alimento silvestre ingerida por cada adulto (g/dia) foi ca. 300% maior do que a biomassa ingerida de alimentos suplementados (JA: 406 ± 176 vs 116 ± 97; RO: 364 ± 229 vs 113 ± 108). Porem, a taxa de ingestao (g/min) foi >300% maior para os alimentos suplementados (JA: 17 ± 20 vs 4 ± 4; RO: 20 ± 29 vs 6 ± 8). A suplementacao alimentar reduziu a ingestao de frutos silvestres, mas nao a ingestao de folhas. A biomassa suplementada ingerida foi uma boa preditora do tempo investido em locomocao por RO e em interacao social por JA. Em suma, a suplementacao alimentar alterou o forrageio dos bugios e aumentou a frequencia de interacoes afiliativas.