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Em 1999, um grupo de professores do CEPAN (Centro Interdisciplinar de Estudo e Pesquisas em Agronegócios) da UFRGS, propôs o SIAN (Sistema Integrado Agronegocial) que foi uma espécie de um desafio para se transpor ao agronegócio, então emergente no Brasil, discussões existentes em outros tipos de organizações, de abrangência mais gerais, novas possibilidade de análises, rompendo-se com uma visão dominante centrada na Economia dos Custos de Transação, dentro da Nova Economia Institucional, usada quase como se fosse uma chave de mestre única para a maioria das discussões em agronegócios, nessa época. O SIAN foi uma proposição teórica para análise de atividades e fenômenos em agronegócios através de abordagens de caráter sistêmico e complexo, multinível, inter/transdisciplinar, abrindo-se para tratar de sistemas em desequilíbrio e para efeitos não lineares, no lugar de relações de causa e efeito. Buscou-se uma construção que inclua os níveis micro-meso-macroanalítico, ou seja, o homem e a organização-relacionamento interorganizacional (níveis meso e macro), que possibilite integrar as dimensões e/ou abordagens necessárias (múltiplas ou não) para a melhor interpretação do fenômeno estudado, numa lógica de “metodologia pluralista” (REGNER, 1996, 1998). Para tratar os aspectos relacionados à incerteza e à mudança contínua dos nossos dias recorre-se à visão processual e de aprendizagem contínua. Dessa maneira, os agronegócios podem ser analisados na sua especificidade, mas com abertura para receber contribuições de vários outros domínios do conhecimento, dentre os quais: a administração, a economia, a sociologia, a psicologia, a epistemologia, a filosofia, dentre outros. Pelo exíguo espaço disponível nesse artigo não é possível desenvolver muitos dos conteúdos teóricos acima citados, restringindo-nos a descrição da proposta. Quase 20 anos depois, aproveitando o acúmulo da experiência de 100 orientações concluídas de mestrado e doutorado strictu sensu, e participação em mais de 500 bancas de mestrado e doutorado, retomamos o SIAN. Nesse sentido, consolidou-se, principalmente a partir do novo milenio, a discussão societal de desenvolvimento sustentável e sustentabilidade, que ao longo do tempo, influenciou e impregnou o nível interorganizacional, organizacional e individual. Portanto, em praticamente 20 anos avançando-se pelos anos 2000, consolidou-se o desenvolvimento sustentável, o TBL (triplom bottom line) e a sustentabilidade, novos posicionamentos estratégicos e políticos foram necessários para repensarmos a competitividade, cooperação e sustentabilidade em agronegócios: Essas mudanças conduziram a questão central de pesquisa deste artigo: Quais são os temas emergentes em desenvolvimento sustentável e sustentabilidade que podem proporcionar novo direcionamento para as discussões teóricas do agronegócio? Assim, propõe-se a passagem do SIAN ao SIANOS (Sistema Integrado Agronegocial Orientado para a Sustentabilidade), acompanhado de possíveis abordagens, temáticas e novas discussões que poderiam fazer parte de estudos e pesquisas futuras no agronegócio.
Published in: Brazilian Journal of Development
Volume 5, Issue 7, pp. 7622-7654
DOI: 10.34117/bjdv5n7-006