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A Hancornia speciosa Gomes (Apocynaceae), conhecida como mangabeira, é uma árvore comum nas savanas centro-sul-americanas. A espécie é importante, especialmente por seus frutos, que são consumidos pelos animais nativos e comunidades locais, impulsionando uma cadeia econômica significativa. No Brasil, H. speciosa ocorre em abundância no bioma Cerrado, onde as áreas protegidas foram submetidas a mudanças de gestão. A implementação do manejo integrado do fogo alterou os regimes de fogo predominantes, da exclusão do fogo intercalada por grandes incêndios para o manejo com queimas prescritas. Nas Terras Indígenas, as recomendações técnicas são baseadas no conhecimento tradicional e cobrem uma ampla janela de fogo, que vai do final da estação chuvosa até a metade da estação seca. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos de diferentes épocas de queima prescrita na H. speciosa. A metodologia envolveu coleta de dados por brigadistas locais e análise estatística usando o Teste de Tukey (p < 0,05). Em todas as épocas avaliadas, as taxas de mortalidade foram baixas. As queimas prescritas durante o final da estação chuvosa foram mais severas. As queimas prescritas durante o início da estação seca apresentaram menor severidade e as maiores taxas de reprodução e de produção de frutos. As queimas prescritas no meio da estação seca apresentaram as maiores perdas de estruturas reprodutivas. Esses resultados indicam que as queimas prescritas no início da estação seca podem ser mais apropriadas para a H. speciosa. No entanto, considerando a variabilidade das respostas e os resultados relativamente positivos em todos os tratamentos, concluímos que as queimas prescritas podem ser realizadas durante todas as épocas avaliadas, proporcionando uma ampla janela de fogo que facilita o manejo em larga e beneficia a diversidade de espécies.
Published in: Biodiversidade Brasileira
Volume 15, Issue 3