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Este artigo explora a intersecção entre literatura e prática clínica na psicologia, tomando o romance Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, em conjunto com a criação de um caso clínico-literário, inspirado na observação clínica e diário de campo/clínico, cujo objetivo é compreender como a literatura pode desvelar narrativas mestras que conformam a expressão da experiência de sofrimento, ao passo em que se interroga, pelo leitor e seu processo de escuta-leitura do texto, o lugar do psicólogo. Argumenta-se que a leitura de textos literários demanda habitar o lugar de escuta em que se é instado a se inclinar para o texto do outro. Nesta proposta, toma-se o encontro entre humanidades médicas e análise literária como metodologia para abordar as queixas relatadas pelos Werthers, seja Werther o narrador-personagem do romance, seja o Werther sujeito contemporâneo da clínica, personagem múltiplo, composto como exercício ético e estético de leitura-escuta. Como achados, destacam-se os lastros em narrativas mestras de restauração, redenção e provação, a repetição de padrões de interdição e sofrimento que emergem em estratégias como a idealização da figura feminina, e o lugar da literatura para informar a prática clínica a partir da escuta relacional tomada como pacto ético.
Published in: Revista 2i | Estudos de Identidade e Intermedialidade
Volume 7, Issue 12, pp. 75-89
DOI: 10.21814/2i.6617