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Este artigo analisa as casas de tradição colonial da Chapada Diamantina construídas com a técnica de taipa de mão, propondo a sua reinterpretação como patrimônios difíceis e lugares traumáticos. Fundamentado em abordagens interdisciplinares da História Atlântica, da diáspora africana e na crítica decolonial, o estudo sustenta que tais edificações não são meros exemplares da arquitetura vernacular brasileira, mas vestígios materiais do trabalho compulsório de africanos escravizados e povos indígenas sistematicamente explorados. Com base em discussão teórica específica, argumenta-se que essas construções materializam memórias submersas e resistências silenciadas, sendo, portanto, documentos históricos da dor. Ao discutir os limites do modelo monumental e celebratório do patrimônio nacional, o artigo propõe uma musealização crítica desses bens, pautada na ética da memória, na escuta dos descendentes e na valorização de saberes afro-indígenas. É desenvolvida a hipótese de que as casas da Chapada, tradicionalmente estetizadas como expressão da cultura colonial, devem ser reconhecidas como lugares de memória traumática, cujas paredes de barro encerram marcas de violência, mas também gestos de agência, resistência e identidade.