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A coloração de Gram é uma técnica fundamental em microbiologia clínica e educacional, sendo amplamente utilizada como etapa inicial na identificação bacteriana. Apesar de seus princípios clássicos, variações operacionais frequentemente observadas na rotina laboratorial e em ambientes de ensino podem comprometer a padronização, a reprodutibilidade e a qualidade diagnóstica dos resultados. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto de diferentes métodos de fixação do esfregaço e de variações operacionais nos protocolos de coloração de Gram sobre a qualidade microscópica e a interpretação diagnóstica. Foram analisadas combinações experimentais envolvendo três métodos de fixação (chama, secagem em estufa e fixação química com metanol), presença ou ausência de lavagens intermediárias e diferentes tempos de exposição ao agente descorante. As lâminas foram avaliadas de forma cega e independente por dois avaliadores, com base em um check-list padronizado contendo 11 critérios qualitativos. Observou-se elevada concordância interavaliador (82,3%) e diferenças importantes entre os métodos de fixação. A fixação por chama apresentou o melhor desempenho global, com maior estabilidade frente às variações operacionais, seguida pela secagem em estufa, enquanto a fixação química com metanol apresentou maior frequência de resultados alterados e interferentes visuais. O tempo menor de descoramento e a realização de lavagens intermediárias exerceram impacto direto na uniformidade da coloração. Os achados reforçam a importância da padronização técnica da coloração de Gram e evidenciam sua relevância tanto para a confiabilidade diagnóstica quanto para o processo de ensino-aprendizagem em microbiologia.
Published in: Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/veterinaria/coloracao-de-gram