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Introdução: A dissecção aguda da aorta tipo A (DAA-A) é uma emergência cardiovascular de elevada letalidade, cuja mortalidade pode ultrapassar 50% nas primeiras 24 horas sem tratamento. O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico, mas apresentações clínicas atípicas frequentemente retardam a suspeita e a confirmação. Relato de caso: Paciente masculino, 80 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica, hipotireoidismo, dislipidemia, hepatite C crônica e epilepsia, foi admitido inicialmente em hospital regional com sintomas inespecíficos de náuseas, vômitos e dor abdominal. Durante a internação evoluiu com convulsões e broncoaspiração, recebendo antibioticoterapia empírica. Após 14 dias do início dos sintomas, angiotomografia evidenciou flap em aorta ascendente, compatível com dissecção tipo A, sendo transferido a centro de referência. Submetido a correção cirúrgica, sob anestesia venosa total alvo-controlada, com monitorização multimodal e reposição maciça de hemocomponentes devido à coagulopatia associada. Evoluiu inicialmente estável, com extubação precoce e desmame progressivo de aminas. No sexto dia pós-operatório, apresentou choque séptico por Pseudomonas aeruginosa, com falência orgânica progressiva e óbito. Discussão: A apresentação atípica da DAA-A, com manifestações gastrointestinais e neurológicas, retardou o diagnóstico. A sobrevida além de sete dias sem intervenção é incomum e provavelmente relacionada à formação de coágulo que tamponou a falsa luz. O manejo anestésico exigiu indução lenta e titulada, manutenção estável com TIVA-TCI, uso criterioso de vasopressores e correção intensiva da coagulopatia, refletindo a complexidade destes casos. Apesar da correção cirúrgica bem-sucedida, o desfecho foi desfavorável devido a complicação infecciosa tardia, corroborando a alta morbimortalidade descrita na literatura em pacientes idosos com tempo prolongado de circulação extracorpórea. Conclusão: Este relato reforça a importância da suspeição clínica precoce em quadros atípicos, do papel fundamental do anestesiologista no manejo hemodinâmico e hemostático, e da necessidade de estratégias individualizadas para otimizar a sobrevida em dissecções de aorta com diagnóstico tardio.
Published in: Revista Goiana de Medicina
Volume 67, Issue 69, pp. e26637-e26637