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O debate sobre a intersexualidade é uma questão complexa que abrange dimensões biológicas, sociais e culturais, já que indivíduos intersexo apresentam variações genéticas, anatômicas ou hormonais que desafiam as classificações binárias do sexo. Historicamente visto como um binário fixo, o sexo frequentemente ignorou a diversidade biológica, enquanto instituições sociais como a educação e a mídia reforçam normas rígidas, marginalizando identidades dissidentes. Este estudo, realizado na Universidade Federal de Alfenas, avaliou as percepções de estudantes de Ciências Biológicas sobre a intersexualidade. Para isso foi aplicado um questionário antes e após (pré- e pós-teste) uma palestra sobre o tema: Intersexualidade, um descolamento do biológico ao social. Os resultados além de revelarem lacunas na formação des estudantes: 45% não tinham conhecimento prévio sobre o tema, e 60% não tiveram exposição curricular ao assunto, e mostraram uma melhora significativa da compreensão sobre o tema após a palestra - 90% ampliaram seu entendimento, e 70% apoiaram a maior inclusão do tópico. A análise estatística (teste U de Mann-Whitney, p<0,0001) confirmou maior compreensão da intersexualidade como variação biológica (pontuação mediana: 3→5) e de sua interação sociobiológica (3→5). Embora desafios como a baixa taxa de resposta (50%) e desengajamento (ex.: uso de smartphones) tenham sugerido resistência residual. O estudo destaca a necessidade de integrar a intersexualidade nos currículos de biologia para desconstruir paradigmas binários, alinhando-se à Diretriz nº 7/2002 do Conselho Federal de Biologia do Brasil, e recomenda pesquisas futuras para abordar limitações metodológicas (ex.: validação de questionários) e avaliar impactos em longo prazo.