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Introdução: A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica com curso clínico heterogêneo e potencial para complicações estruturais e manifestações extraintestinais. Dados regionais sobre seu perfil fenotípico e desfechos clínicos no estado de Santa Catarina ainda são escassos. Objetivo: Descrever o perfil fenotípico, as complicações e os fatores associados à atividade da doença em pacientes com doença de Crohn em Santa Catarina. Métodos: Estudo transversal analítico realizado entre março e junho de 2025, com 83 pacientes adultos com diagnóstico de Crohn, recrutados por questionário online validado. Foram coletadas variáveis sociodemográficas, clínicas, terapêuticas e de hábitos de vida. A atividade da doença foi avaliada pelo Índice de Harvey-Bradshaw (HBI). Análises estatísticas incluíram frequências, testes qui-quadrado e regressão logística. Resultados: Predominância do sexo feminino (78,3%) e faixa etária de 20–39 anos (59,0%). Complicações estruturais foram registradas em 55,4% dos casos, sendo fístulas (37,3%) e abscessos (18,1%) as mais frequentes. Manifestações extraintestinais ocorreram em 72,3%, com destaque para artralgia (61,4%). Atividade moderada/grave (HBI ≥8) foi observada em 42,1% dos pacientes e associada significativamente ao tabagismo ativo (p-valor=0,017), sono ruim (p-valor=0,006), ausência de atividade física (p-valor=0,034) e uso de corticoides (p-valor<0,001). O uso de biológicos mostrou efeito protetor (p-valor=0,007). Conclusão: Pacientes com doença de Crohn em Santa Catarina apresentam elevada carga de complicações e atividade da doença associada a fatores comportamentais e terapêuticos modificáveis. Os achados reforçam a necessidade de abordagens integradas e políticas regionais voltadas ao manejo precoce e multidisciplinar.