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A Antroponímia é uma vertente da Onomástica que trata dos nomes próprios de pessoas. Em uma comunidade, esses nomes singularizam os indivíduos e favorecem suas relações sociais. Podem ainda caracterizar determinada época e preservar informações inerentes à cultura e à história dessas comunidades. Neste trabalho, um recorte da dissertação de mestrado intitulada “Antropônimos: uma proposta didática na Escola Municipal Antônio Sandim de Rezende em Terenos/MS” (Costa, 2020)[1], o viés abordado são as alcunhas, parte do léxico integrante da língua, e sua aplicabilidade em produções textuais de alunos do Ensino Fundamental II. Nesse contexto, almejamos compreender como as alcunhas utilizadas pelos moradores das Colônias Nova e Velha evidenciam aspectos culturais dessa comunidade. Para tanto, estabelecemos os seguintes objetivos: i) inventariar os antropônimos por meio de entrevistas, a fim de subsidiar produções textuais dos gêneros Memória Literária e Crônica, realizadas no contexto das atividades desenvolvidos com a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, com vistas a reconhecer particularidades da comunidade em atribuir alcunhas, contribuindo, desse modo, com a preservação da memória desse grupo social; ii) analisar os fatores motivacionais implícitos nos antropônimos inventariados com o propósito de verificar a intencionalidade contida nas alcunhas. Nesse intuito, orientamo-nos por epistemologias da Lexicologia e da Antroponímia, em especial nas contribuições de Biderman (2001), Oliveira e Isquerdo (2001), Amaral e Seide (2020), entre outros. Com o desenvolvimento da pesquisa, inventariamos 153 antropônimos que, por sua vez, resultaram em 38 produções de texto: 17 memórias literárias e 21 crônicas. Essas alcunhas serviram de instrumento para relacionar relatos orais e marcas identitárias às produções textuais. Os dados demonstraram que os antropônimos mais produtivos estão ligados a fatores comportamentais, a alterações morfológicas de prenomes e a características físicas. Os estudantes, ao produzirem os textos, reconheceram o uso dos antropônimos pela comunidade e explicitaram suas tradições, crenças, hábitos e valores, marcas de sua identidade cultural. Com isso, percebemos que pesquisas de cunho antroponomástico contribuem para o conhecimento e a preservação de aspectos histórico-culturais de uma comunidade e, aliadas ao ensino, aproximam o estudante da sua realidade, tornando a aprendizagem mais significativa.
Published in: Onomástica desde América Latina
Volume 7, Issue 1, pp. 1-20