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A saúde mental dos estudantes de Medicina tem se consolidado como um tema central na educação médica, diante das elevadas taxas de sofrimento psíquico, adoecimento mental e uso de psicofármacos observadas nesse grupo. Esse cenário pode ser agravado em contextos marcados por desigualdades sociais, vulnerabilidades institucionais e dinâmicas migratórias, como as regiões de tríplice fronteira. O presente estudo teve como objetivo analisar o uso de psicofármacos entre estudantes de Medicina de uma universidade situada em região de tríplice fronteira, descrevendo prevalências, padrões de consumo, fatores associados, percepções subjetivas de saúde mental e especificidades socioculturais do território. Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado com 113 estudantes regularmente matriculados do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário autoaplicável online, contemplando informações sociodemográficas, uso de psicotrópicos, diagnósticos psiquiátricos, percepção da saúde mental, experiências de discriminação e acesso a serviços de saúde mental. Foram realizadas análises descritivas e testes de associação pelo qui-quadrado de Pearson (p<0,05). Observou-se que 48,7% dos estudantes relataram uso de psicofármacos ao longo da vida, com predomínio de ansiolíticos e antidepressivos, e 19,5% referiram polifarmácia. Diagnóstico psiquiátrico formal foi reportado por 31% da amostra, principalmente ansiedade, depressão e TDAH, havendo associação estatisticamente significativa entre diagnóstico e uso de psicotrópicos. Conclui-se que o uso de psicofármacos entre estudantes de Medicina na tríplice fronteira configura um fenômeno complexo e multifatorial, reforçando a importância do planejamento de ações institucionais e políticas voltadas à promoção da saúde mental no ensino superior.
Published in: RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218
Volume 7, Issue 2, pp. e727232-e727232