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A identidade de um povo resulta de políticas públicas de Estado direccionadas nos sectores da educação e formação da pessoa, capazes de forjar nela o ego assente nos valores psico-emocionais, culturais, morais e cívicos típicos da macro-sociedade de pertença. Tais valores estão destinados a serem reproduzidos no tempo e em espaços pelas gerações. Todavia, numa sociedade multicultural e multilinguística como é angolana, a formação do ego “confronta-se” com duas realidades conflituais: uma assente na formação de valores sociológicos das micro-sociedades de origem do indivíduo, que privilegia o inculcar de um tipo de ego endógeno, autêntico e “conservador”, transmitido de geração a geração, e outra assente nos valores decorrentes do Estado de direito, que privilegia a formação de um ego marcadamente dependente das dinâmicas internas e externas, cujos valores são susceptíveis às mudanças constantes. Essa “conflitualidade” de egos, agravada pelo assimilacionismo cultural à la carte pode condicionar tanto a formação de uma identidade como a consolidação da memória comuns entre os angolanos. Trata-se de um artigo baseado na investigação científica de base, essencialmente do tipo qualitativo, através dos métodos histórico e da contextualização, cuja exposição assenta numa abordagem interdisciplinar entre o saber popular, a Sociologia Política, a Psicologia Social e o nation-building em contexto pós-colonial. Como resultado, se espera que a apresente abordagem contribua à compreensão da dualidade na formação do ego, identidade e memória em Angola.