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O Brasil e o mundo atravessam um período em que transformações demográficas, ambientais e sociais se entrelaçam e reconfiguram os rumos da vida coletiva. O envelhecimento populacional, quando somado às mudanças climáticas e às desigualdades históricas, impõe desafios que não podem ser enfrentados isoladamente. Ciência, políticas públicas, práticas comunitárias e saberes tradicionais precisam dialogar e se complementar. É nesse horizonte que a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) realiza o I Seminário Nacional Envelhecimento, Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Demências e Cuidado, Saberes Tradicionais e Ancestralidade: Uma Perspectiva Intergeracional, criando um espaço plural para a troca de experiências e reflexões sobre como envelhecer com dignidade em sociedades sustentáveis. A realização do Seminário em Belém, no ano de 2025, conecta-se diretamente à 30a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30). A Amazônia, reconhecida mundialmente como patrimônio ambiental e cultural, assume lugar simbólico e estratégico neste debate. A região evidencia, de um lado, os impactos das crises climáticas sobre populações idosas e vulneráveis; de outro, a força de saberes ancestrais e práticas comunitárias que apontam alternativas de cuidado e de sustentabilidade. O Seminário nasce, assim, como um gesto que une ciência e sociedade, tradição e inovação, território e futuro. O encontro dialoga ainda com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas e com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3, que trata da saúde e bem-estar; o ODS 10, voltado à redução das desigualdades; e o ODS 13, que convoca à ação global contra a mudança climática. Pensar o envelhecimento nesse contexto é também pensar sociedades resilientes, capazes de assegurar direitos, reduzir vulnerabilidades e enfrentar preconceitos como o etarismo. Ao articular essas dimensões, a ABRAz reafirma sua missão de ampliar o cuidado à pessoa idosa, conectando-o a questões ambientais, sociais e culturais que atravessam nosso tempo. Os trabalhos reunidos nestes anais revelam a diversidade e a profundidade do debate contemporâneo. As pesquisas e relatos de experiência percorrem desde as demências e o impacto econômico da longevidade até a ancestralidade, as políticas de cuidado, as doenças tropicais, as tradições orais como estímulo cognitivo e a valorização da Amazônia como patrimônio ambiental e cultural. Essa multiplicidade reflete a força do Seminário, mostrando que o envelhecimento não pode ser compreendido a partir de uma única lente disciplinar, mas exige um diálogo contínuo entre ciência, comunidade e tradição. A importância acadêmica e social deste evento é evidente. No campo científico, fortalece redes de pesquisa, promove a produção de conhecimento interdisciplinar e estimula novas publicações. No campo social, valoriza a extensão universitária, a voz das pessoas idosas, as experiências comunitárias e os movimentos sociais que lutam por direitos e dignidade. Ao mesmo tempo, o Seminário projeta-se internacionalmente a produção brasileira, inserindo-a no debate global da COP 30 e reafirmando o papel da Amazônia como espaço estratégico na agenda climática e de justiça social. Ao reunir pesquisadores, profissionais, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil, este Seminário consolida a trajetória da ABRAz e aponta para o futuro das políticas e práticas de cuidado no Brasil. Envelhecer com dignidade em sociedades sustentáveis é um compromisso coletivo, que exige ciência comprometida, políticas públicas inclusivas, solidariedade intergeracional e respeito às nossas raízes culturais e ambientais. Que os Anais agora publicados inspirem novas pesquisas, políticas e práticas de cuidado, reafirmando a convicção de que cuidar do envelhecimento humano é também cuidar da continuidade do planeta.