Search for a command to run...
Introdução: A Asma Eosinofílica (AE) é um subtipo de asma caracterizado por eosinofilia tecidual e do escarro, representando aproximadamente 70% de todos os casos graves da doença. A presença de altos níveis de eosinófilos é um marcador associado ao mau controle dos sintomas e aumento das exacerbações. Muitos pacientes são refratários aos tratamentos convencionais disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), como os corticosteroides, o que torna o monitoramento de novas terapias uma necessidade para a saúde pública. Objetivo: Identificar e descrever as tecnologias novas e emergentes para o tratamento da asma eosinofílica grave em adultos, e apresentar dados de eficácia e segurança dessas terapias na perspectiva de um informe de Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT).Métodos: Foi realizada uma busca na base de registros de ensaios clínicos ClinicalTrials.gov para identificar tecnologias para o tratamento da asma eosinofílica em adultos (20-59 anos), em fases 2 e 3 de pesquisa. Foram selecionados estudos finalizados entre 2019-2024. A partir dos códigos de registro (NCT), buscaram-se Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) nas bases MEDLINE e Google Acadêmico para avaliar eficácia e segurança. Os dados foram extraídos com instrumento padronizado e analisados qualitativamente, com foco em resultados com significância estatística (p≤0,05).Resultados: A busca identificou 31 ensaios, com 4 registros para 3 tecnologias atendendo aos critérios. A análise final incluiu 5 Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) sobre benralizumabe e GB001. Para o benralizumabe, anticorpo anti-IL-5, o estudo demonstrou redução significativa da mediana da dose de corticosteroide oral (OCS) em 75% (vs. 25% com placebo, p<0,001) e das taxas anuais de exacerbação em até 70% (p<0,001). A análise integrada dos estudos confirmou a manutenção desses benefícios a longo prazo. O GB001, antagonista oral do receptor DP2, foi bem tolerado, com melhora na função pulmonar (FEV1) e redução na piora da asma, principalmente em pacientes com biomarcadores de inflamação tipo 2 elevados.Conclusões: A pesquisa identificou tecnologias promissoras para a AE grave, com destaque para a eficácia e segurança do benralizumabe e GB001. Embora os resultados indiquem um avanço no controle da doença, a incorporação no SUS requer uma Avaliação de Tecnologia em Saúde (ATS) que transcenda os desfechos clínicos. Fatores como avaliação econômica, impacto orçamentário, adesão ao tratamento, qualidade de vida do usuário e a adequação ao cenário logístico local são indispensáveis para subsidiar uma tomada de decisão que zele pela universalidade, equidade e sustentabilidade.
Published in: Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia
Volume 11, Issue s1