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A intensificação do consumo, o endividamento juvenil e a circulação de informações econômicas nas redes digitais recolocam a educação financeira como dimensão de cidadania, com impactos espaciais visíveis no bairro, na cidade e nas redes globais. O artigo objetiva analisar como a Geografia, no Ensino Médio brasileiro, pode operacionalizar a educação financeira como tema transversal, articulando território, redes, escalas e desigualdades a situações-problema ligadas a orçamento, crédito e consumo. A proposta se justifica pela presença da educação financeira nas agendas públicas e pela necessidade de mediação docente para converter informação em conhecimento, evitando abordagens prescritivas. Pergunta-se: de que modo a educação financeira, integrada à Geografia, favorece leitura crítica do espaço e tomada de decisão no cotidiano de estudantes do Ensino Médio? Metodologicamente, realiza-se pesquisa qualitativa bibliográfica, com revisão narrativa orientada por etapas de busca, seleção, síntese e fichamento, tomando como corpus estudos sobre transversalidade (Pereira; Sá; Sá Júnior, 2024), tecnologia digital em experiências didáticas (Junior Matte; Santos; Maurell, 2022), conceituações para o Ensino Médio (Muniz Junior, 2010) e sequências didáticas interdisciplinares (Batista, 2023), além de literatura sobre didática e políticas (Pozo, 2004; Morán, 2015; Brasil, 2010; Brasil, 2020). Os resultados sintetizados indicam que a transversalidade se fortalece quando problemas financeiros são espacializados, analisados em diferentes escalas e discutidos com dados locais, e que tecnologias digitais ampliam simulações e projetos, desde que acompanhadas por critérios didáticos. Conclui-se que a Geografia oferece repertório potente para letramento financeiro crítico ao explicitar relações entre consumo, trabalho, finanças e produção do espaço, com implicações para planejamento de aulas e avaliação formativa.