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A ampliação do acesso às tecnologias digitais na escola comum tensiona o currículo e a exigência de práticas inclusivas, quando se reconhece que dados e linguagens numéricas atravessam diferentes áreas e podem ampliar a participação discente. Nesse cenário, o artigo examina o potencial das planilhas dinâmicas como mediação interdisciplinar, em diálogo com estudos sobre objetos de aprendizagem, lousas digitais e programação introdutória (Balbino, 2019; Balbino; Kalinke, 2016; Balbino; Nesi; Kalinke, 2018) e com a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018). O objetivo geral consiste em discutir como o trabalho com planilhas dinâmicas pode favorecer aprendizagens e reduzir barreiras à participação, quando integrado a projetos interdisciplinares. Justifica-se o recorte porque a cultura de dados organiza decisões institucionais, exigindo letramentos digitais sem produzir exclusões por linguagem, ritmo ou acesso. Pergunta-se: de que modo tecnologias digitais, interdisciplinaridade e planilhas dinâmicas podem ser articuladas, no cotidiano escolar, para apoiar inclusão e aprendizagem? Metodologicamente, desenvolve-se pesquisa qualitativa, bibliográfica, com revisão narrativa orientada por critérios de seleção, análise temática e síntese argumentativa (Almeida, 2017; Ferenhof; Fernandes, 2016; Casarin et al., 2020). Os achados indicam que a potência das planilhas dinâmicas decorre da reorganização de dados e da produção de múltiplas representações, favorecendo diferenciação pedagógica, autoria discente e diálogo entre áreas, desde que acompanhadas por mediação docente, acessibilidade e critérios de qualidade de recursos (Kenski, 2012; Koohang; Harman, 2007). Conclui-se que a contribuição inclusiva não reside no artefato em si, mas no desenho didático que explicita escolhas de tratamento de dados, promove colaboração e garante suportes de acesso.