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A formação de técnicos e tecnólogos em Radiologia é estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para o setor de diagnóstico por imagem. Entretanto, a literatura revela heterogeneidade curricular, fragilidades pedagógicas e insuficiente integração de metodologias inovadoras. Este trabalho objetiva analisar criticamente a produção científica nacional sobre os currículos e práticas pedagógicas em Radiologia, destacando desafios e apontando caminhos para sua melhoria. O estudo configura-se como uma revisão narrativa com abordagem sistemática, abrangendo publicações de 2010 a 2025. As bases consultadas incluíram SciELO, LILACS e Portal CAPES, além de documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC) e Ministério da Saúde (MS). O processo de seleção seguiu fluxograma PRISMA, resultando em 36 estudos incluídos na síntese qualitativa e quantitativa. A análise foi organizada em quatro eixos: (I) marcos regulatórios da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) e da Radiologia; (II) currículos e diretrizes de formação; (III) práticas docentes e metodologias inovadoras; (IV) desafios e resultados educacionais. Os resultados indicaram que, apesar dos avanços normativos (Lei nº 7.394/1985, Decreto nº 92.790/1986, DCNs/2012 e CNCST/2024), persistem assimetria curricular e deficiências na formação docente. Observou-se predominância de disciplinas técnico-operacionais, em detrimento de conteúdos éticos e humanísticos. Além disso, a carga horária e a estrutura de estágios supervisionados variam significativamente entre instituições. A docência, muitas vezes pautada apenas no notório saber, carece de programas de formação pedagógica contínua. Em contrapartida, experiências com sala de aula invertida, gamificação e metodologias ativas demonstraram impacto positivo no engajamento discente e no desenvolvimento do pensamento crítico. A discussão aponta que a Educação 4.0 constitui um horizonte estratégico para a formação em Radiologia, ao integrar tecnologias emergentes (realidade aumentada, inteligência artificial, big data) e promover simulações realísticas e treinamentos virtuais. Para superar os desafios, o artigo propõe seis diretrizes: currículo modular baseado em projetos (PBL); sala de aula invertida com gamificação; inserção de recursos da Educação 4.0; formação docente contínua; flexibilidade educacional com modelos híbridos; e ética e humanização como eixo transversal. Conclui-se que o fortalecimento da formação técnica e tecnológica em Radiologia exige a integração entre políticas educacionais, inovação pedagógica e valorização da docência. Apenas assim será possível consolidar uma Educação Profissional e Tecnológica crítica, humanizada e tecnologicamente avançada, capaz de responder às demandas contemporâneas do setor saúde e da sociedade.
Published in: Brazilian Journal of Radiation Technology Research.
Volume 2, Issue 01