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Introdução: O câncer representa um dos maiores desafios na saúde pública mundial, sendo uma das principais causas de mortalidade [1]. O seu aumento, nos últimos anos, está relacionado ao envelhecimento populacional, às mudanças nos hábitos de vida e aos fatores ambientais [2]. Entre os tratamentos disponíveis para o câncer, a radioterapia (RT) destaca-se pela utilização de radiação ionizante direcionada aos tecidos tumorais, a fim de impedir a multiplicação e induzir a morte celular [3]. Nesse contexto, para a entrega de um tratamento radioterápico seguro, o trabalho em equipe é essencial, envolvendo diversos profissionais, entre eles o dosimetrista, que exerce papel fundamental no delineamento dos órgãos em risco (OARs) e no planejamento radioterápico [4]. A atuação do dosimetrista contribui para a precisão do tratamento, redução da toxicidade e proteção dos tecidos saudáveis, melhorando a qualidade de vida do paciente [5]. Portanto, este estudo teve como objetivo destacar a importância do dosimetrista no delineamento dos OARs para o planejamento radioterápico, garantindo maior segurança e precisão na entrega do tratamento. Metodologia: Revisão narrativa da literatura, por meio da busca de artigos publicados nas bases de dados Google Acadêmico, SciELO Brasil e PubMed, utilizando as palavras-chave: delineamento de órgãos em risco, dosimetrista em radioterapia, planejamento radioterápico e radioterapia. Foram incluídos artigos disponíveis na íntegra e relacionados diretamente ao tema. A seleção foi feita, inicialmente, por meio da leitura de títulos e resumos e, posteriormente, leitura do texto completo. Foram excluídos artigos que não disponibilizavam acesso ao texto completo ou sem relevância direta ao tema. Os dados foram organizados e analisados de forma descritiva, permitindo uma síntese qualitativa das evidências. Resultados: O dosimetrista desempenha um papel vital na RT, garantindo a precisão do planejamento do tratamento para oferecer maior segurança ao paciente. Ele atua desde a simulação, cuidando do posicionamento correto, até a integração de imagens de diferentes exames, que permitem um contorno mais exato das áreas a serem tratadas e dos OARs, assegurando que o volume tumoral receba próximo de 100% da dose prescrita e que os OARs sejam protegidos, de forma que a dose por eles recebida fique abaixo dos limites aceitáveis pelos constraints estabelecidos por protocolos clínicos recomendados por consensos internacionais [6]. Para obter uma avaliação quantitativa, após a delimitação dos OARs, o Sistema de Planejamento do Tratamento (TPS) gera um histograma de dose-volume (DVH), que resume graficamente os dados de doses para cada região de interesse, de acordo com o volume englobado [7]. Caso algum órgão esteja recebendo dose maior ou igual ao preconizado, o dosimetrista busca medidas para otimizar o planejamento radioterápico, como a alteração na conformação e no peso dos campos planejados, o ajuste nas lâminas dos colimadores multileaf (MLC) e a alteração nas angulações de gantry, colimador e rotação da mesa, evitando o excesso de dose nos OARs [8]. Conclusão: O dosimetrista desempenha um papel fundamental no planejamento da RT, especificamente no delineamento preciso dos órgãos em risco e na análise dos DVHs, a fim de otimizar o planejamento do tratamento. Reconhecer a importância desse profissional na RT fortalece a qualidade do cuidado oncológico e a segurança dos pacientes, garantindo a eficácia do tratamento e a redução da toxicidade. Além disso, o conhecimento sobre a atuação do dosimetrista incentiva o Tecnólogo em Radiologia a buscar maior especialização nessa área, que está em crescente expansão e apresenta elevado potencial para absorver os profissionais das técnicas radiológicas.
Published in: Brazilian Journal of Radiation Technology Research.
Volume 2, Issue 01