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INTRODUÇÃO: O câncer de mama é a neoplasia que mais acomete mulheres em todo o mundo, responsável por 25% de todos os cânceres diagnosticados e por cerca de 16% das mortes por câncer feminino [1]. O tratamento envolve cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia (RT). Dentre as técnicas radioterápicas disponíveis, a técnica Deep Inspiration Breath Hold (DIBH) (inspiração profunda com suspensão da respiração) tem sido utilizada especialmente para o tratamento da mama esquerda, pois permite reduzir a dose em órgãos em risco (OARs) quando comparada à técnica convencional de Free Breathing (FB) (respiração livre) [2]. Tendo em vista a alta incidência do câncer de mama e a importância da RT no tratamento dessa enfermidade, o objetivo deste trabalho foi descrever a técnica DIBH, evidenciando suas vantagens e limitações. METODOLOGIA: Revisão de literatura de artigos publicados nos últimos 10 anos nas bases de dados SciELO e PubMed, com busca a partir dos descritores: câncer de mama, DIBH e RT de mama esquerda. Incluíram-se estudos sobre RT com FB e a aplicação da técnica DIBH em pacientes com câncer de mama esquerda, abordando aspectos clínicos, técnicos e dosimétricos. Excluíram-se artigos sem acesso ao texto completo ou sem relevância direta ao tema. A seleção ocorreu, inicialmente, pela leitura de títulos, resumos e, posteriormente, dos textos completos. Os dados foram organizados de forma descritiva, permitindo síntese qualitativa das evidências encontradas. RESULTADOS: A DIBH promove o deslocamento do coração para a posição inferior e posterior, afastando-o do campo de radiação [3]. Diversos estudos demonstram os benefícios da DIBH, comparada à técnica convencional de FB, evidenciando que ela apresenta uma redução significativa da dose média de radiação no coração e na artéria descendente anterior (ADA) esquerda, menor dose pulmonar e maior afastamento entre estruturas críticas e o campo de tratamento, sem prejudicar a cobertura do volume-alvo planejado (PTV) [4-6]. Para a execução da DIBH, a paciente é posicionada em decúbito dorsal, geralmente com os braços elevados e apoiados em suportes específicos. A técnica exige sistemas de monitoramento respiratório, como câmeras infravermelhas ou RT guiada por superfície (SGRT), tanto no tomógrafo de simulação quanto no acelerador linear, que garante a aplicação da radiação apenas quando os parâmetros de amplitude respiratória estão coincidentes com o estabelecido [7]. Caso haja desvios, o feixe é automaticamente interrompido. Além disso, a técnica mostra alta reprodutibilidade, desde que a paciente consiga manter a apneia por 20 a 30 segundos. Entretanto, essa técnica também apresenta limitações, como maior complexidade técnica, necessidade de treinamento respiratório da paciente, tempo prolongado de simulação e tratamento, além do custo elevado dos equipamentos de monitoramento [8]. Por esses motivos, ainda não está amplamente disponível na maioria dos centros de RT. Apesar disso, os benefícios justificam sua utilização, principalmente em pacientes jovens ou com risco cardiovascular aumentado, pois, nesses casos, a proteção cardíaca traz impactos positivos na qualidade de vida a longo prazo [9]. CONCLUSÃO: A técnica DIBH é eficaz e segura para reduzir a toxicidade em OARs, sobretudo no coração, no pulmão e na ADA esquerda, principalmente nos casos de tratamento de mama esquerda, representando uma evolução importante por unir eficiência oncológica e preservação de órgãos vitais. No entanto, não é indicada para todas as pacientes, pois apresenta maior complexidade técnica, exigindo treinamento respiratório adequado, colaboração ativa da paciente e sistemas de monitoramento tanto na simulação tomográfica quanto no tratamento, o que resulta em maior tempo de simulação e custo significativo.
Published in: Brazilian Journal of Radiation Technology Research.
Volume 2, Issue 01