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O aumento expressivo na prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas últimas décadas tem estimulado investigações sobre fatores ambientais potencialmente envolvidos em sua etiologia. Entre esses fatores, a exposição a agrotóxicos durante a gestação tem sido apontada como um possível determinante de risco para alterações no neurodesenvolvimento. O presente estudo teve como objetivo revisar e sintetizar as evidências científicas acerca da associação entre exposição a agrotóxicos e o desenvolvimento do TEA. Foi conduzida uma revisão sistemática da literatura com busca em bases de dados internacionais, incluindo PubMed, Scopus e Web of Science, considerando estudos publicados entre 2000 e 2024 e seguindo as diretrizes do protocolo PRISMA.Os resultados indicam que diversos estudos epidemiológicos, particularmente de coorte e caso-controle, demonstram associação positiva entre exposição pré-natal a pesticidas e aumento do risco de TEA. Meta-análises recentes relatam estimativas combinadas de risco em torno de odds ratio (OR) ≈ 1,88, indicando maior probabilidade de desenvolvimento do transtorno em filhos de mães expostas durante a gestação. Evidências provenientes de estudos experimentais e toxicológicos também apontam mecanismos biológicos plausíveis, incluindo estresse oxidativo, disfunção mitocondrial, disrupção endócrina e processos de neuroinflamação, os quais podem interferir em etapas críticas do desenvolvimento cerebral fetal. Em conjunto, essas evidências sugerem que a exposição a agrotóxicos representa um potencial fator ambiental associado ao risco de TEA. Os achados reforçam a necessidade de estratégias preventivas e políticas públicas voltadas à redução da exposição a pesticidas, especialmente durante períodos críticos da gestação, visando à proteção do desenvolvimento neurológico infantil.
Published in: Periódicos Brasil Pesquisa Científica
Volume 5, Issue 1, pp. 2540-2559