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Introdução: A presença do animal de estimação junto à pessoa internada tem sido associada à redução de ansiedade, melhoria do humor e fortalecimento emocional (Araújo et al., 2022; Teixeira et al., 2021; Fisher & Zanatta, 2021). Porém, tal prática está pouco difundida e condicionada por desafios logísticos, éticos e sanitários. Os enfermeiros, pela proximidade e tempo dedicado à pessoa internada, desempenham um papel crucial na viabilização ou restrição dessa prática, pelo que, aceder às suas percepções torna-se essencial à possível criação de protocolos seguros e humanizados. Objetivos: Conhecer a perceção dos enfermeiros acerca da possibilidade de visita do animal de estimação à pessoa hospitalizada. Material e Métodos: Trata-se de uma abordagem qualitativa de natureza exploratória e descritiva. A amostra é de conveniência, composta por dez enfermeiros portugueses que desempenham funções em unidades de internamento hospitalar. A recolha dos dados foi efetuada através de entrevista semiestruturada e a análise dos mesmos foi realizada com recurso à análise de conteúdo segundo Bardin. No decurso do processo investigativo, foram cumpridas as recomendações da Declaração de Helsínquia e Convenção de Oviedo. Resultados: Os resultados evidenciam o potencial terapêutico da possível visita do animal de estimação à pessoa internada: redução do stress/ ansiedade e consequente melhoria da sua saúde física e psicológica. As desvantagens, parecem estar associadas a riscos sanitários e segurança do doente e animal. Já no que respeita aos critérios, sublinham a necessidade de alteração de mentalidades nos profissionais/organizações de saúde e elencam um conjunto de requisitos a serem respeitados, no que toca ao animal: bom estado de saúde/ higiene; condições de transporte adequadas e tipologia de animais a incluir na possível visita. Do ponto de vista institucional, os critérios passam por: adequação das infraestruturas; criação de normas e procedimentos que viabilizem a visita. Conclusões: A visita de animais de estimação a pessoas hospitalizadas representa uma prática inovadora e humanizadora, com potencial terapêutico globalmente reconhecido pelos participantes. A presente pesquisa, ainda que exploratória, vem destacar o papel do vínculo humano-animal como recurso terapêutico complementar no ambiente hospitalar.
Published in: RevSALUS - Revista Científica da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia
Volume 8, Issue Sup
DOI: 10.51126/9dzwk567