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Introdução: A saúde sexual feminina é uma componente essencial do bem-estar. No período pós- parto, as modificações decorrentes são particularmente relevantes, uma vez que a gravidez e o parto induzem transformações que podem impactar a função sexual (Gutzeit et al, 2020). A disfunção sexual feminina (DSF) é uma condição prevalente, afetando entre 40–45% das mulheres ao longo do seu ciclo de vida. No contexto pós-parto, a incidência e prevalência reportadas variam amplamente, situando-se entre 20% e 91,3% (Banaei et al, 2019; Gutzeit et al, 2020). Apesar da sua elevada prevalência e do impacto significativo na qualidade de vida, a DSF no período pós-parto continua a ser frequentemente subestimada e negligenciada. No contexto português, a escassez de estudos científicos que analisem a DSF, representa uma lacuna importante na literatura. Objetivos: Determinar a prevalência de DSF em mulheres até 12 meses pós-parto na Grande Lisboa; identificar os domínios da função sexual mais afetados e avaliar a influência de variáveis obstétricas. Material e Métodos: Realizou-se um estudo epidemiológico, quantitativo, do tipo não experimental. A seleção da amostra foi realizada por conveniência e o questionário Female Sexual Function Index (FSFI), validado para a população portuguesa, foi aplicado online. A amostra final incluíu 34 mulheres. Foram realizadas análises descritivas e inferenciais (teste de Shapiro-Wilk, correlação de Spearman, Kruskal-Wallis e teste exato de Fisher) no SPSS v.29. O estudo obteve aprovação do Comité de Ética da Escola Superior de Saúde Atlântica. Resultados: A prevalência de DSF foi de 50%. O desejo sexual apresentou a pontuação média mais baixa, seguido da excitação e orgasmo. Todos os domínios revelaram diferenças estatisticamente significativas nas mulheres com e sem DSF (p < 0,001), sugerindo compromisso multidimensional da função sexual. O número de partos mostrou tendência associativa, com maior prevalência de DSF em primíparas. As restantes variáveis obstétricas não apresentaram resultados estatisticamente significativos. Conclusões: A DSF afetou metade das puérperas avaliadas, com impacto marcado no desejo, excitação e orgasmo. Os resultados reforçam a importância do rastreio sistemático da função sexual nas consultas pós-parto. Recomenda-se a realização de estudos longitudinais, com amostras representativas e inclusão de variáveis psicossociais.
Published in: RevSALUS - Revista Científica da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia
Volume 8, Issue Sup
DOI: 10.51126/ahyw2p73