Search for a command to run...
Introdução: A ansiedade pré-operatória constitui uma resposta emocional frequente entre as pessoas submetidas a procedimentos cirúrgicos. Esta condição pode comprometer significativamente o bem-estar físico e psicológico do indivíduo, influenciando negativamente os resultados clínicos, designadamente: aumento da dor pós-operatória, maior consumo de analgésicos, prolongamento do tempo de recuperação e risco acrescido de complicações (Oliveira et al., 2023; Correia, 2022; Silva, Gomes & Oliveira, 2021). Neste contexto, o enfermeiro, assume um papel central na mitigação da ansiedade pré-operatória da pessoa/ família, atuando como agente terapêutico e educador. Objetivos: Desocultar causas da ansiedade pré-operatória e as intervenções de enfermagem desenvolvidas no sentido da sua mitigação. Material e Métodos: Trata-se de uma abordagem qualitativa de natureza exploratória e descritiva. A amostra é de conveniência, composta por oito enfermeiros portugueses que desempenham funções em unidades de internamento cirúrgico de hospitais de Lisboa. A recolha dos dados foi efetuada através de entrevista semiestruturada e a análise dos mesmos foi realizada com recurso à análise de conteúdo segundo Bardin. No decurso do processo investigativo, foram cumpridas as recomendações da Declaração de Helsínquia e Convenção de Oviedo. Resultados: Os resultados evidenciam que causas sociodemográficas como: género, idade, crença, estado civil, nível de escolaridade, vulnerabilidades e pessoa de referência, têm influência na ansiedade pré-operatória. Por outro lado, medos, cirurgias anteriores, ambiente e burocracia hospitalar, qualidade da informação e falta de interesse pelo seu estado de saúde, parecem estimular a ansiedade. Dos discursos emergiu ainda que estratégias como a visita pré-operatória, o toque terapêutico, a assertividade, a relação empática e o esclarecimento de dúvidas, constituem intervenções de enfermagem comumente usadas para mitigar a ansiedade pré-operatória, achados que vão de encontro à literatura. Conclusões: A atuação do enfermeiro neste período crítico contribui para a melhoria da experiência do paciente, a humanização dos cuidados e a otimização dos resultados clínicos. Ao integrar conhecimento técnico-científico com sensibilidade humana, o enfermeiro desempenha um papel insubstituível na promoção da saúde emocional do cliente em contexto cirúrgico.
Published in: RevSALUS - Revista Científica da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia
Volume 8, Issue Sup
DOI: 10.51126/n60nfh73