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Introdução: O acompanhamento farmacoterapêutico é uma prática clínica fundamentada no cuidado farmacêutico embasado na filosofia do Pharmaceutical Care1, que auxilia os pacientes em uso de medicamentos a atingir as metas de seus tratamentos. A conciliação medicamentosa consiste em uma revisão sistematizada dos medicamentos utilizados pelo paciente durante as etapas de transição de cuidado, garantindo que todos os medicamentos adicionados, modificados ou descontinuados sejam adequadamente avaliados2. Objetivo: Avaliar os resultados do acompanhamento farmacoterapêutico iniciado a partir da conciliação medicamentosa em um hospital de médio porte. Métodos: Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo, que incluiu a documentação dos pacientes acompanhados no período de janeiro a dezembro de 2024. Todos os dados foram coletados diretamente do sistema de documentação do setor de Farmácia Clínica e nos prontuários médicos. Foram coletados a idade (em anos), gênero, número e tipos de problemas de saúde identificados na conciliação medicamentosa, motivo da internação, número e tipos de medicamentos usados (tanto domiciliar como durante a internação, classificados segundo o Anatomic Therapeutic Chemical Code - ATC), número de problemas relacionados ao uso de medicamentos (PRM) identificados e resolvidos e suas categorias e aceitação das intervenções farmacêuticas pelo corpo clínico. Os PRM foram classificados segundo a recomendação do American College of Clinical Pharmacy3. O estudo foi submetido e aprovado por comitê de ética em pesquisa, sob o número CAAE: 84345624.6.0000.5149. Resultado: Foram analisadas as documentações de 369 atendimentos, destes 267 correspondiam a conciliações de pacientes na admissão hospitalar, 50 à documentação de PRM durante o acompanhamento desses pacientes no período da internação e 52 referente à conciliação e/ou acompanhamento de alguns pacientes readmitidos pelo serviço, devido à reinternação na instituição. Foram identificados 636 PRM, com uma média de 1,72 PRM/paciente (variando entre 0 e 14 PRM); do total, 48,3% relacionados à necessidade, 19,0% à efetividade, 25,8% relacionados à segurança e 6,9% relacionados à conveniência. Do total de PRM identificados, 67,0% estavam relacionados a medicamentos de uso domiciliar, enquanto 33,0% referiam-se a medicamentos de uso exclusivo durante a internação. Em 82,3% das avaliações realizadas, foi identificado pelo menos um PRM. Para resolver esses problemas, foram realizadas intervenções junto à equipe médica, das quais 87,1% foram aceitas, 7,9% não foram aceitas e 5,0% não houve registro da aceitação. Conclusão: O elevado número de PRM identificados e resolvidos, aliado à alta aceitação das intervenções, reforça a importância da atuação do farmacêutico clínico e evidencia a necessidade de expansão do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico.
Published in: Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia
Volume 11, Issue n. s.2