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Introdução: A liderança em saúde constitui um determinante essencial na qualidade e segurança dos cuidados, particularmente em contextos de elevada pressão, como os serviços de urgência. O burnout, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal, afeta gravemente o bem-estar dos profissionais de saúde e a qualidade assistencial. A literatura tem evidenciado que o estilo de liderança adotado pelos gestores influencia significativamente a ocorrência de burnout, podendo atuar como fator de risco ou de proteção. Objetivo: Mapear e analisar a evidência científica sobre a influência dos modelos de liderança exercidos pelos gestores no desenvolvimento do burnout entre profissionais de saúde, identificando estilos de liderança associados à prevenção e mitigação desta síndrome. Material e Métodos: Realizou-se uma scoping review segundo a metodologia do Joanna Briggs Institute (JBI), seguindo as orientações PRISMA-ScR. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados ScienceDirect, Web of Science, MEDLINE (via PubMed) e CINAHL, utilizando os descritores Leadership, Burnout e Healthcare Professionals. Foram incluídos estudos publicados entre 2018 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a relação entre estilos de liderança e burnout em contexto de saúde. Resultados: Os estudos incluídos demonstram uma relação significativa entre o estilo de liderança e o nível de burnout entre profissionais de saúde. As lideranças transformacionais e autênticas destacam-se pela sua associação com menores níveis de exaustão e maior satisfação profissional, promovendo o empowerment e a coesão das equipas. Em contrapartida, estilos autoritários ou de tipo laissez-faire associam-se a maior risco de burnout, desmotivação e rotatividade. Estudos recentes confirmam o papel protetor de lideranças empáticas e autênticas, centradas na comunicação, ética e bem-estar das equipas. Conclusões: A evidência reforça que estilos de liderança positivos, nomeadamente o transformacional e o autêntico, são fundamentais para prevenir o burnout e promover a saúde organizacional. O investimento em formação contínua dos gestores e o desenvolvimento de competências relacionais e emocionais constituem estratégias prioritárias para a sustentabilidade das equipas e a qualidade dos cuidados de saúde.
Published in: RevSALUS - Revista Científica da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia
Volume 8, Issue Sup
DOI: 10.51126/fvcw9r19