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Introdução: A subnotificação de eventos adversos pela equipe assistencial é uma importante limitação em serviços de saúde e pode ser consequência de: tempo exigido para notificar; medo das consequências à notificação; falta de feedback e incerteza sobre o que notificar. Objetivo: Avaliar o impacto do número de notificações voluntárias, após treinamentos da equipe assistencial por meio de gamificação em um hospital sentinela de Salvador/BA. Métodos: Estudo descritivo longitudinal, realizado entre jan/22 a jun/23 em um hospital terciário de Salvador/BA. Foram realizados treinamentos lúdicos à equipe assistencial através de jogos em duas etapas: jun/22 e jan/23. Para isso, as enfermarias eram visitadas diariamente pelo estagiário de farmácia a fim de alcançar maior número de colaboradores (Médicos, Enfermeiros e Técnicos de enfermagem). Os jogos abordavam questões sobre: como e onde notificar eventos adversos; importância das ações de farmacovigilância e cultura de segurança do paciente. Cartas devolutivas com chocolates passaram a ser enviadas aos notificadores mensalmente e, a partir de jun/22, o colaborador que realizou maior número de notificação por mês recebeu um certificado de boas práticas institucionais. Por fim, um vídeo sobre o tema foi disponibilizado na plataforma de treinamentos institucional. Para avaliação dos resultados, as informações foram extraídas do banco de dados do serviço de farmacovigilância da instituição e o impacto das ações foi medido através do comparativo médio percentual do número de notificações por semestre após as duas etapas do estudo, onde o programa Microsoft Office 365 Excel foi utilizado. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética, CAAE: 70731023.2.0000.5520. Resultado e Conclusão: A média mensal de notificações previamente as etapas de intervenções era 72, a qual aumentou para 85 após primeira fase de treinamentos e para 100, após segunda fase. Isso significa que após a primeira etapa de treinamentos, houve um aumento de 18%, em virtude da recente implantação das medidas de incentivo à notificação. Entretanto, após segunda etapa de treinamento, houve um aumento médio percentual para 38,9% quando comparado a etapa inicial, evidenciando efetividade nas ações de engajamento e fortalecimento das ações de farmacovigilância. Reduzir os casos de subnotificação é um desafio e muitas vezes está associado ao desconhecimento da equipe assistencial sobre a importância das ações de farmacovigilância. Os resultados apresentados fortalecem a importância de ações contínuas desmistificando a cultura punitiva e evidenciando a associação das ações de farmacovigilância à segurança do paciente. A subnotificação é uma realidade no âmbito hospitalar, por isso é necessário intensificar entre os profissionais de saúde a importância da notificação voluntária, a fim de favorecer a análise de possíveis eventos adversos, garantir maior segurança nos cuidados prestados ao paciente.
Published in: Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia
Volume 11, Issue n. s.2