Search for a command to run...
A crescente centralidade dos rankings, métricas e indicadores nas políticas educacionais contemporâneas tem redefinido profundamente o sentido da aprendizagem e o papel social da escola. Este artigo analisa criticamente a consolidação da chamada escola do desempenho, marcada pela valorização de resultados mensuráveis, avaliações em larga escala e mecanismos de responsabilização que transformam processos educativos complexos em números, índices e posições comparativas. Parte-se do pressuposto de que a aprendizagem, enquanto experiência humana, cultural e socialmente situada, não pode ser plenamente capturada por métricas padronizadas, sob pena de empobrecimento pedagógico e aprofundamento das desigualdades educacionais. A discussão fundamenta-se em uma revisão teórica de autores críticos da educação e das políticas educacionais, que problematizam a lógica da performatividade, da meritocracia e da gestão por resultados, evidenciando seus impactos sobre o currículo, a avaliação, o trabalho docente e as trajetórias escolares dos estudantes. Argumenta-se que os rankings escolares e os indicadores de desempenho operam como dispositivos simbólicos e materiais de poder, capazes de reorganizar prioridades institucionais, induzir práticas pedagógicas voltadas ao treino para testes e reforçar processos de exclusão social, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, o artigo reconhece a complexidade do debate, evitando leituras simplistas que demonizam toda forma de avaliação, mas defendendo a necessidade de práticas avaliativas formativas, contextualizadas e comprometidas com a formação integral dos sujeitos. Conclui-se que a hegemonia da cultura do desempenho exige uma reflexão crítica urgente, capaz de recolocar a aprendizagem, a justiça social e a dimensão emancipatória da educação no centro do debate educacional.
Published in: Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences
Volume 8, Issue 3, pp. 1384-1398