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O presente estudo busca compreender como diferentes fases do desenvolvimento humano atribuem sentido ao trabalho, analisando as percepções de uma adulta e de uma idosa a partir de um relato de experiência mediado por uma roda de conversa. Fundamentado na Gestalt-terapia, especialmente na noção de campo organismo-ambiente e nos processos de ajustamento criativo, o estudo considera o trabalho como uma atividade que se destaca no campo da experiência conforme necessidades emergem, organizando a percepção de si e do mundo. Ao longo da vida, o trabalho assume funções diversas, influenciadas por fatores sociais, econômicos, emocionais e identitários. Os resultados evidenciam que, para a participante idosa, o trabalho mantém caráter central mesmo após a aposentadoria, sendo associado à dignidade, utilidade e pertencimento. Sua permanência no mercado de trabalho está relacionada tanto à necessidade financeira quanto ao desejo de sentir-se ativa e socialmente integrada. Já para a participante adulta, o trabalho representa um processo em construção, marcado pela busca de desenvolvimento profissional, autonomia, aprendizado e projeção de futuro. As motivações voltam-se para conquistas pessoais e para o delineamento de uma carreira que produza satisfação e sentido. A análise demonstra que o significado do trabalho é dinâmico, modificando-se conforme as demandas de cada etapa da vida. Assim, compreender essas diferenças é essencial para práticas organizacionais mais humanizadas, que considerem as necessidades de trabalhadores em distintos momentos do ciclo vital. O estudo reforça que o trabalho, além de suprir necessidades materiais, constitui importante eixo de desenvolvimento psicológico, social e existencial ao longo da vida.
Published in: Saberes Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação
Volume 26, Issue 1, pp. RE01-RE01