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A Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, conhecida como “Novo Ensino Médio”, promoveu uma reformulação na organização dessa etapa da Educação Básica no Brasil. O currículo passou a ser estruturado em duas partes: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com conteúdo obrigatórios, e os Itinerários Formativos, que permitem aos estudantes escolher áreas de interesse alinhados a seus projetos profissionais. Nesse contexto, surgiram dúvidas e desafios, principalmente entre os estudantes, exigindo que as escolas se reorganizassem para ofertar os itinerários formativos conforme suas condições estruturais e pedagógicas. Assim, este artigo objetiva analisar os discursos produzidos pelos estudantes no âmbito do componente, Projeto de Vida, inserido na política do Novo Ensino Médio, tomando como referência analítica a teoria da governamentalidade de Michel Foucault. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, realizada por meio de um questionário aplicado via Google Forms, no segundo semestre de 2024, envolvendo 385 estudantes do Ensino Médio, que compartilharam suas percepções acerca do Novo Ensino Médio e seus Itinerários Formativos. Assim, a pesquisa envolveu quatro escolas públicas distintas, localizadas em três municípios do Espírito Santo: Linhares, Colatina e Aracruz. Os resultados indicam que, embora os estudantes tenham a oportunidade de realizar escolhas, observa-se como o poder se organiza para orientar suas condutas. Trata-se de uma estratégia que se manifesta por meio de instituições, saberes e táticas, direcionando os estudantes a se autogovernarem segundo a lógica do poder. Essa lógica se expressa nos efeitos produzidos pelas instituições, com ênfase na gestão da vida e da sociedade, buscando o controle e a manutenção da ordem social.
Published in: Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro
Volume 13, Issue 03, pp. 1-24
DOI: 10.66104/47m0rx43