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O campo de Relações Internacionais desenvolveu-se a partir de uma perspectiva eurocêntrica, tanto em seus fundamentos ontológicos – ancorados no sistema interestatal de Westfália – quanto em sua construção epistemológica, consolidada após a Primeira Guerra Mundial. Como consequência, suas principais correntes teóricas foram moldadas para interpretar a realidade dos atores europeus, silenciando dinâmicas e experiências do Sul Global. O pós-colonialismo surge como um esforço de ruptura com essa hegemonia, reivindicando a inclusão de vozes e epistemologias marginalizadas. Neste contexto, o pensamento de Amílcar Cabral apresenta-se como uma contribuição fundamental para a crítica ao colonialismo, imperialismo e neocolonialismo. Mais do que um líder revolucionário, Cabral teorizou sobre cultura, luta armada e libertação nacional, conectando a resistência anticolonial a um projeto político de emancipação e autodeterminação. Este artigo analisa a atualidade de suas formulações e discute a necessidade de uma descolonização epistemológica das Relações Internacionais, destacando a pertinência de sua obra para o entendimento das desigualdades globais e das estruturas persistentes de dominação no sistema internacional.
Published in: Caderno de Geografia
Volume 36, Issue 84, pp. 86-86