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A evasão escolar permanece como um dos principais desafios das políticas educacionais brasileiras, sobretudo no que se refere à garantia do direito à educação e à permanência de crianças e adolescentes na escola. Nas últimas décadas, diferentes estratégias institucionais têm sido desenvolvidas com o objetivo de identificar estudantes em situação de risco e promover ações de retorno e permanência no sistema educacional. Nesse contexto, as iniciativas de busca ativa e de reinserção escolar têm se consolidado como instrumentos relevantes no enfrentamento das trajetórias escolares interrompidas. O presente artigo tem como objetivo analisar as contribuições e os limites dessas políticas públicas no enfrentamento da evasão escolar no Brasil. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de revisão de literatura sobre evasão e permanência escolar, articulada à análise de dados secundários provenientes do Censo Escolar produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. A análise busca compreender as tendências recentes da evasão escolar e examinar de que forma as estratégias de monitoramento, identificação e acompanhamento de estudantes fora da escola têm sido implementadas no âmbito das políticas educacionais. Os resultados indicam que as ações de busca ativa contribuem para ampliar a visibilidade do fenômeno e favorecer a reinserção de estudantes que interromperam suas trajetórias escolares, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade social. Entretanto, evidenciam-se limites relacionados à fragmentação das políticas públicas, à insuficiente articulação intersetorial e às condições estruturais que produzem e reproduzem o abandono escolar. Conclui-se que o enfrentamento da evasão exige não apenas mecanismos de retorno à escola, mas também estratégias voltadas à permanência, à equidade educacional e ao fortalecimento das redes de proteção social.