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O transtorno do espectro autista (TEA) constitui uma condição do neurodesenvolvimento marcada por ampla heterogeneidade clínica, cognitiva e funcional. A literatura recente tem questionado leituras exclusivamente deficitárias do autismo e indicado que o perfil cognitivo de muitas pessoas autistas é melhor descrito como desigual, com combinações específicas de desempenhos preservados, superiores e vulneráveis. Este artigo analisa, à luz da literatura científica e de diretrizes contemporâneas, como os perfis cognitivos no TEA articulam pontos fortes, desafios e necessidades de adaptação funcional. Adota-se uma revisão narrativa baseada em meta-análises, revisões sistemáticas e documentos institucionais de saúde. A análise mostra que são frequentes dificuldades em flexibilidade cognitiva, velocidade de processamento, planejamento, integração contextual e autorregulação, mas também se observam potencialidades relevantes em atenção a detalhes, raciocínio não verbal, memória em domínios específicos, processamento visuoespacial e interesses intensos. Argumenta-se que a tradução desses achados para a prática depende de avaliação individualizada, leitura ecológica do funcionamento e organização de apoios em contextos reais. Entre as adaptações funcionais mais consistentes destacam-se a estruturação previsível do ambiente, os suportes visuais, o manejo sensorial, as instruções explícitas, a flexibilização de tempo e a mediação comunicativa.
Published in: Revista Brasileira de Filosofia e História
Volume 15, Issue 1