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Introdução e Objetivos: A estratificação do risco de morte súbita cardíaca (MSC) na miocardiopatia não isquémica (MNI) permanece um desafio. O recentemente proposto DERIVATE Risk Score 2.0 (DRS 2.0) procura melhorar a previsão de risco utilizando três variáveis: sexo masculino, fração de ejeção do ventrículo esquerdo medida por ressonância magnética cardíaca (FEVE-RMC) e a presença de realce tardio com gadolínio (RTG) médio-mural. O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho do DRS 2.0 na previsão de eventos arrítmicos major (MAACE) numa coorte portuguesa de MNI. Métodos: Foram incluídos neste estudo retrospetivo unicêntrico doentes com diagnóstico clínico de MNI submetidos a RMC por indicação clínica. Foram excluídos doentes com doença coronária obstrutiva, miocardiopatia infiltrativa, inflamatória ou hipertrófica, ou doença valvular ou congénita significativa.A pontuação DRS 2.0 foi calculada para cada doente com base no sexo masculino, FEVE-RMC e na presença e padrão de RTG médio-mural, conforme reportado.O endpoint primário foi a ocorrência de eventos arrítmicos major (MAACE), definidos como MSC, taquicardia ventricular (TV) sustentada ou terapêutica apropriada de CDI (choque ou ATP). O seguimento foi realizado através de registos clínicos e interrogação de dispositivos. Resultados: Foram incluídos um total de 385 doentes (idade 62,5 ± 14,9 anos; 63% sexo masculino, FEVE-RMC mediana 37% (27-43), presença de RTG médio-mural em 51,4%). 102 doentes tinham CDI (26,5%), 5 dos quais já tinham o dispositivo antes da RMC e os restantes 97 receberam-no durante o seguimento.A pontuação mediana do DRS 2.0 foi de 6,0 (IIQ 4,0 – 9,0). A distribuição de risco de acordo com o DRS 2.0 foi de 20% de baixo risco (n=76), 53% de risco intermédio (n=203) e 28% de alto risco (n=106).Durante um seguimento médio de 3,0 ± 1,4 anos, ocorreram 26 MAACE (6,8%), incluindo 7 MSC, 9 TV sustentadas e 10 terapêuticas apropriadas de CDI. As taxas anualizadas de MAACE foram de 0,4%/ano no baixo risco, 1,0%/ano no risco intermédio e 6,0%/ano nos doentes de alto risco. Os doentes classificados como de alto risco pelo DRS 2.0 representaram 28% da coorte, mas foram responsáveis por 73% de todos os MAACE (HR 8,00, IC 95% 3,36-19,04, p<0,001). O DRS 2.0 apresentou uma boa discriminação (C statistics 0,76, IC 95%: 0,66-0,85, p<0,001). A calibração foi excelente, conforme indicado pelo teste de Hosmer-Lemeshow não significativo (Xn2 = 0,802, p = 0,371). Conclusões: O DRS 2.0 demonstrou uma boa discriminação e excelente calibração na nossa coorte portuguesa de MNI, identificando eficazmente um pequeno subgrupo que concentrou a maioria dos eventos arrítmicos. Este score parece ser aplicável na nossa população e poderá ser uma ferramenta útil na estratificação do risco de morte súbita em doente com MNI. Introduction and Objectives: Sudden cardiac death (SCD) risk stratification in non-ischemic cardiomyopathy (NICM) remains challenging. The recently proposed Derivate Risk Score 2.0 (DRS 2.0) seeks to enhance risk prediction using three variables: sex, cardiac magnetic resonance–derived left ventricular ejection fraction (CMR-LVEF), and the presence of midwall late gadolinium enhancement (LGE).The aim of this study was to assess the accuracy of the DRS 2.0 for predicting Major Arrhythmic Events (MAACE) in a Portuguese NICM cohort. Methods: Patients with the clinical diagnosis of NICM who underwent CMR for clinical purposes were included in this single-center retrospective study. Patients with obstructive coronary artery disease, infiltrative, inflammatory or hypertrophic cardiomyopathy, or significant valvular or congenital heart disease were excluded.The DRS 2.0 score was calculated for each patient based on male sex, CMR-derived LVEF and on the presence and pattern of midwall LGE as reported. The primary endpoint was Major Arrhythmic Cardiac Events (MAACE), defined as SCD, sustained ventricular tachycardia (VT), or appropriate ICD therapy (shock or ATP). Follow-up was performed using clinical records and device interrogations. Results: A total of 385 patients were enrolled (age 62.5 years (±14.9); 63% male, median CMR-LVEF 37% (27-43), midwall LGE present 51.4%). 102 patients had an ICD (26.5%), 5 had an ICD previous to CMR and the remaining 97 patients received one during follow up. The median DRS2.0 score was 6.0 (IQR 4.0 – 9.0). Risk distribution according to the DRS 2.0 was 20% low risk (n=76), 53% intermediate risk (n=203), and 28% high risk (n=106).During a mean follow up of 3.0 ±1.4 years, 26 MAACE (6.8%) occurred, including 7 SCD, 9 sustained VT, and 10 appropriate ICD therapies. The annualized MAACE rates were 0.4%/year in low risk, 1.0%/year in intermediate-risk, and 6.0%/year in the high- risk patients. Patients classified as high risk by DRS 2.0 represented 28% of the cohort yet accounted for 73% of all MAACE (HR 8.00, 95%CI 3.36-19.04, p<0.001).The DRS 2.0 showed good discrimination (C statistic 0.76, 95%CI: 0.66-0.85, p<0.001). Calibration was excellent, as indicated by a non-significant Hosmer–Lemeshow test (χ² = 0.802, p = 0.371). Conclusions: DRS 2.0 showed robust discrimination and calibration in our Portuguese NICM cohort, effectively identifying a small subgroup that accounted for most arrhythmic events. This score appears applicable in our population and may assist in refining SCD risk stratification and management.