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Introdução: O aconselhamento genético para câncer de mama hereditário representa uma estratégia preventiva essencial, especialmente em populações com acesso facilitado à testagem, como prevê a legislação vigente em Goiás. No entanto, barreiras socioculturais e de acesso à informação ainda podem limitar a adesão. Objetivo: Analisar a percepção da população goiana sobre a testagem e o aconselhamento genético para câncer de mama e/ou ovário. Método: Estudo observacional, transversal, exploratório e quanti-qualitativo, com amostra obtida por conveniência, composta por 239 indivíduos adultos residentes em Goiás. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário eletrônico divulgado em redes sociais e aplicativo de mensagens. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas e 11 afirmativas sobre benefícios, aspectos práticos e barreiras ao aconselhamento genético, em escala de Likert. Resultados: A maioria dos participantes era do sexo feminino (80,8%), com idade entre 18 e 50 anos (84,1%) e escolaridade superior a 12 anos (82%). A percepção geral sobre o aconselhamento genético foi positiva, com alta concordância para os benefícios relatados. Participantes com histórico pessoal de câncer apresentaram menor concordância com as vantagens e maior percepção de impacto familiar. Diferenças entre os sexos foram observadas nas barreiras culturais; homens demonstraram menor predisposição à testagem e maior influência de crenças religiosas e fatalistas. O histórico familiar mostrou associação com menor resistência à testagem. Conclusão: A população goiana demonstrou ampla aceitação do aconselhamento genético. Experiências prévias com a doença influenciaram a percepção sobre benefícios e barreiras. Estratégias educativas e personalizadas devem considerar essas nuances para ampliar a adesão.
Published in: Revista Brasileira de Cancerologia
Volume 72, Issue 2