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Esta revisão integrativa da literatura objetivou analisar a interação dialética entre as possibilidades pedagógicas transformadoras e os desafios éticos críticos associados à integração da Inteligência Artificial (IA) na Educação Básica (K-12), sintetizando um quadro compreensivo para uma prática educacional responsável. A metodologia consistiu em uma revisão integrativa de 46 estudos científicos (2020-2026), selecionados após buscas segmentadas na base Scopus sobre dimensões pedagógicas e éticas, seguidas de análise temática. Os resultados demonstraram que a IA oferece possibilidades pedagógicas significativas, centradas na personalização da aprendizagem em escala, no desenvolvimento do pensamento crítico e criativo (via pedagogias como Design Fiction e modelo CEDE), na ampliação da literacia em IA, no suporte ao ensino STEM e no desenvolvimento profissional docente autodirigido. Contudo, estas potencialidades estão intrinsecamente tensionadas por uma complexa rede de desafios éticos e operacionais, incluindo riscos de viés algorítmico e discriminação, violações à privacidade de dados de crianças, falta de transparência e accountability, ampliação do fosso digital e, crucialmente, a preparação inadequada dos professores. A discussão evidenciou que a integração da IA transcende a dimensão técnica, configurando-se como um processo sociotécnico, político e pedagógico que exige mediação crítica. Concluiu-se que a realização das possibilidades pedagógicas depende da superação dos desafios éticos por meio de um novo pacto formativo, estruturado em três pilares: 1) a reconversão da formação docente para um modelo de Intelligent-TPACK que integre domínio técnico, pedagógico e reflexão ética; 2) a incorporação transversal da alfabetização crítica em IA no currículo do K-12, formando cidadãos digitais; e 3) a implementação de quadros de governança ética institucional (como o GEAI e o HCAI Block Model) que garantam privacidade by design, soberania de dados e supervisão humana (human-in-the-loop). O caminho para uma adoção responsável reside, portanto, em uma postura de "otimismo cauteloso", que subordina a tecnologia a um projeto humanista de formação, investindo massivamente na capacitação dos atores humanos como agentes centrais dessa transformação.
Published in: Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação
Volume 12, Issue 3, pp. 1-35