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O debate apresentado neste artigo carrega o Método Biografemático como estratégia de apreensão de narrativas e desafios em meio a processos de formação de docentes que trabalham em educação com infâncias. A partir de produções teóricas de Barthes (2015), Deleuze e Guattari (2016), Canguilhem (2012), Varela (2022) e Foucault (2012) problematiza formatos rígidos de ser docente e de compreender infâncias e propõe abertura ao inesperado, à invenção, no exercício desse ofício. Os caminhos percorridos no trabalho docente como campo de experiência se encontram com campos afetivos e temporais nos cotidianos, sendo tensionados pelas nuances com infâncias. Ao acompanhar efemeridades, a escritura biografemática se consolidou como ferramenta de análise das práticas educacionais em oficinas realizadas com docentes. A escrita assume caráter ensaístico, buscando produzir pensamento em movimento, em diálogo com gestos singulares do ofício docente e tensões provocadas pelo encontro com infâncias. Mais do que tratar a infância como uma fase cronológica, o artigo a toma como um modo de existência, um estado de experimentação e de abertura ao novo. O “devir-criança” é entendido como potência no fazer pedagógico que permite deslocar saberes, práticas e formas de relação no ambiente educativo. O acompanhamento das efemeridades das práticas educacionais possibilitou interlocuções com modos outros possíveis no ofício docente na educação infantil. A docência, compreendida como atividade ética, estética e política, encontra-se com uma infância que, como território de imanência e diferença (NOGUERA, 2019), potencializa outros trajetos com um ofício docente a partir do infancializar.