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O artigo analisa criticamente a meritocracia e seus impactos nas relações sociais, destacando como essa lógica, ao valorizar apenas habilidades, esforços e conquistas individuais, contribui para a marginalização de quem não atinge o mesmo sucesso. Inicialmente, discute-se como a meritocracia se apresenta na sociedade contemporânea, promovendo a ideia de que o mérito individual é o principal critério de reconhecimento social. A seguir, o texto aprofunda essa discussão no campo religioso, especialmente no neopentecostalismo, onde o sucesso ou fracasso é atribuído à fé ou à falta dela, naturalizando desigualdades e responsabilizando o indivíduo por sua condição. Na escola, a meritocracia é reproduzida pela valorização de desempenhos individuais, ignorando desigualdades de origem e capitais culturais diversos, transformando o sucesso em privilégio. O artigo também aborda os efeitos negativos dessa crença: no âmbito coletivo, promove a ideia de autossuficiência e reduz a empatia, dificultando políticas de equidade; no individual, gera culpa, ansiedade e frustração ao desconsiderar barreiras estruturais. A pesquisa busca entender como a lógica meritocrática, presente em campos como a religião e a educação, legitima desigualdades e responsabiliza o indivíduo pelo fracasso social. Conclui-se que, aplicada de forma acrítica, a meritocracia reforça exclusões históricas, encobre injustiças sociais e dificulta a construção de uma sociedade mais justa. O estudo utilizou abordagem qualitativa, com base em pesquisa bibliográfica e método hipotético-dedutivo.
Published in: Direitos Democráticos & Estado Moderno
Volume 1, Issue 16, pp. 04-21