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A pandemia da COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, originou diversas complicações sistêmicas além do quadro respiratório agudo, entre as quais a necrose óssea — especialmente a osteonecrose da cabeça femoral — tem emergido como sequela ortopédica de relevância crescente. O objetivo desta revisão sistemática foi identificar, descrever e sintetizar as evidências publicadas sobre casos de necrose óssea associados à infecção por COVID-19, discutindo mecanismos fisiopatológicos, fatores de risco, apresentações clínicas, métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e Embase, com descritores controlados (DeCS/MeSH) combinados por operadores booleanos, seguindo o protocolo PRISMA 2020. Foram incluídos cinco estudos, publicados entre 2021 e 2024, predominantemente brasileiros, com delineamentos variados — relato de caso, série de casos e tese de doutorado. Os resultados demonstraram que a faixa etária mais acometida situa-se entre 31 e 64 anos, com predomínio do sexo masculino, e que a cabeça femoral bilateral foi o sítio anatômico mais frequentemente afetado. O intervalo médio entre a infecção e o surgimento dos sintomas musculoesqueléticos foi de aproximadamente 183 dias. O uso de corticosteroides durante o tratamento da COVID-19 foi o fator de risco mais frequentemente identificado, embora casos sem exposição a essa classe farmacológica também tenham sido relatados, sugerindo mecanismo patogênico viral independente. A ressonância magnética mostrou-se o método diagnóstico de eleição. As abordagens terapêuticas variaram do tratamento conservador à artroplastia total do quadril, com resultados promissores para o transplante autólogo de células mononucleares da medula óssea nos estágios iniciais da doença. Conclui-se que a necrose óssea representa uma complicação real e clinicamente relevante do espectro pós-COVID, sendo necessários estudos prospectivos com amostras maiores para consolidar as evidências disponíveis e estabelecer protocolos clínicos de rastreamento e tratamento.