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Introdução: A otite média aguda (OMA) é uma das infecções mais frequentes na infância e uma das principais causas de prescrição de antibióticos em pediatria. Embora seja altamente prevalente, a indicação para terapia antibiótica permanece controversa, especialmente em casos leves e autolimitados. Objetivos: Avaliar criticamente os benefícios, riscos e recomendações atuais para o uso de antibióticos na OMA pediátrica e analisar as barreiras e estratégias para a implementação de diretrizes clínicas na prática diária. Métodos: Esta revisão narrativa incluiu estudos com evidências de alto nível (níveis 1A e 1B, Oxford Centre for Evidence-Based Medicine). Foi realizada uma pesquisa bibliográfica no PubMed, abrangendo publicações de 2000 a 2024. Resultados: Ensaios randomizados mostraram que os antibióticos reduzem a falha clínica e aceleram a resolução dos sintomas, principalmente em crianças menores de dois anos com OMI grave bilateral ou otorreia. Em contrapartida, metanálises demonstraram benefícios limitados em casos leves e uma maior frequência de efeitos adversos. As principais diretrizes internacionais recomendam o uso seletivo de antibióticos e favorecem a espera vigilante em doenças não graves. Conclusão: A terapia antibiótica para AOM deve ser reservada para subgrupos específicos nos quais os benefícios superam os riscos. Expandir a adesão às diretrizes por meio da educação profissional e de estratégias de implementação estruturadas é essencial para reduzir o uso desnecessário de antibióticos e combater a resistência antimicrobiana